Nova disciplina do marketing digital, o GEO (Generative Engine Optimization) vira prioridade para negócios que querem ser recomendados por ChatGPT, Gemini e Perplexity. Especialistas alertam que quem demorar vai disputar espaço com todo mundo
O jeito de pesquisar antes de comprar mudou, e mudou rápido. Em vez de digitar palavras-chave no Google e comparar dez links, uma parcela crescente dos consumidores agora simplesmente pergunta a uma inteligência artificial: “qual o melhor dentista da minha cidade?”, “qual software de gestão devo contratar?”, “qual imobiliária é mais confiável?”. A resposta vem pronta, em poucos segundos, com duas ou três marcas citadas. Quem não está nessa resposta, para todos os efeitos práticos, não existe.
O fenômeno já tem números expressivos. O ChatGPT ultrapassou a marca de 900 milhões de usuários semanais no início de 2026, segundo dados divulgados pela OpenAI, e mais de 40% da Geração Z afirma preferir ferramentas de IA aos buscadores tradicionais. A consultoria Gartner projeta queda de cerca de 30% nos cliques em resultados orgânicos de busca até o fim deste ano. Para o comércio e os prestadores de serviço, inclusive no interior do Paraná, o recado é claro: a vitrine digital está se mudando de endereço.
O que é GEO e por que ele virou assunto
Para responder a essa mudança, surgiu uma nova disciplina no marketing digital: o GEO, sigla para Generative Engine Optimization (otimização para motores de busca generativos). Se o SEO tradicional trabalha para posicionar um site nas primeiras posições do Google, o GEO trabalha para que a marca seja citada e recomendada dentro das respostas do ChatGPT, do Gemini, do Perplexity e de outras IAs.
No Brasil, o movimento é liderado por agências especializadas como a Geostack, primeira agência brasileira dedicada exclusivamente a GEO, fundada em 2024 sobre uma operação de busca ativa desde 2008. A empresa, sediada em São Paulo e com atuação em todo o país, já soma mais de 200 projetos e publica metodologia própria, com frameworks abertos e pesquisa original sobre como as IAs se comportam com consultas em português.
“A citação é o novo clique. E as marcas que se posicionarem agora terão uma vantagem composta quase impossível de alcançar depois”, resume André HP, fundador da agência e profissional com 17 anos de experiência em busca, numa trajetória que atravessou todas as grandes atualizações do Google, do Panda ao Helpful Content.
Recomendação de IA converte cinco vezes mais
O interesse das empresas não é apenas defensivo. Dados de mercado compilados pela Geostack indicam que o tráfego originado em buscas por IA converte a uma taxa de 14,2%, contra 2,8% do tráfego orgânico tradicional do Google, ou seja, cerca de cinco vezes mais. A explicação está no comportamento do usuário: quando a IA recomenda uma marca, a sugestão é recebida como o conselho de um consultor confiável, e não como propaganda.
Na prática, o trabalho de GEO envolve várias frentes: dados estruturados que “explicam” a empresa para as máquinas, conteúdo redigido no formato que os modelos de linguagem preferem citar, consistência de informações pela internet e presença nas fontes que as IAs consultam para montar suas respostas, de wikis e diretórios setoriais a plataformas de avaliação e veículos de imprensa.
Para negócios locais, a lógica é a mesma dos grandes mercados. Quando um morador de Maringá pergunta a uma IA por uma recomendação de clínica, escola, escritório de advocacia ou loja, o modelo responde com base nos sinais que encontrou sobre cada marca. Empresas com presença digital bem estruturada tendem a ser citadas; as demais ficam de fora da conversa, muitas vezes sem sequer saber que perderam a venda.
Janela de oportunidade
Especialistas comparam o momento atual ao início dos anos 2000, quando as primeiras empresas a investir em SEO construíram posições no Google que os concorrentes levaram anos para alcançar. A diferença é que, no caso do GEO, a janela pode ser mais curta: pouquíssimas marcas brasileiras trabalham a otimização para IA hoje, o que torna o espaço nas respostas relativamente disputável, pelo menos por enquanto.
Para empresários que querem entender o próprio ponto de partida, a recomendação dos especialistas é começar por um diagnóstico: testar como as principais IAs respondem a perguntas sobre o seu segmento e verificar se a marca aparece, como é descrita e quais concorrentes estão ocupando o espaço. A Geostack oferece uma auditoria gratuita de presença em IA que mapeia exatamente isso, mostrando como ChatGPT, Gemini, Perplexity e Google AI Overviews enxergam ou ignoram cada marca hoje.
O consenso entre os profissionais do setor é um só: a pergunta não é mais se os consumidores vão usar IA para decidir onde comprar, mas quando cada empresa vai se preparar para ser a resposta.