Por Bettina Mesquita, mentora de finanças e criadora do Método da Prosperidade®.
Instagram: @bettina.enriquecevoce
Nem toda compra começa com uma necessidade. Algumas começam com uma emoção.
Um dia difícil pode terminar com uma compra pela internet. Uma promoção pode parecer
impossível de recusar depois de uma semana intensa de trabalho. Uma viagem pode
surgir como uma forma de compensar meses de cansaço. Um jantar mais caro pode
carregar a sensação de “eu mereço”.
Muitas vezes, a pessoa não percebe que não está comprando apenas um produto, um
serviço ou uma experiência. Está tentando mudar o que está sentindo.
Esse é um dos aspectos mais negligenciados da nossa relação com o dinheiro: usamos o
dinheiro não apenas para atender necessidades, mas também para regular emoções.
Ansiedade, frustração, comparação, culpa, medo, tédio e até a necessidade de
reconhecimento podem influenciar decisões financeiras. O problema é que o alívio
proporcionado por essas compras costuma durar pouco, enquanto a consequência
financeira permanece por muito mais tempo.
Escolhas aparentemente pequenas podem se transformar em padrões.
Não se trata de defender que não devemos consumir. Mas sim que o consumo venha
acompanhado de consciência e alinhamento com valores e objetivos.
Algumas perguntas podem ajudar a interromper esse automatismo: Por que vou comprar
isso? O que estou sentindo agora e como vou me sentir amanhã? É uma necessidade
que preciso resolver agora ou posso adiar? É algo que está no meu planejamento
financeiro?
Essas perguntas podem mudar decisões. E são decisões que mudam a realidade.
Se as respostas forem “quero me sentir valorizado”, “quero aliviar meu estresse” ou
“quero esquecer um problema”, talvez a necessidade não esteja naquilo que está no
carrinho, mas sim em autorregulação emocional.
É justamente por isso que educação financeira não pode se limitar a ensinar a fazer
contas, escolher investimentos ou montar uma planilha. Saber o que fazer com o dinheiro
é importante. Mas desenvolver habilidades de inteligência emocional nas finanças é o que
sustenta a construção de uma prosperidade sustentável.
A inteligência emocional entra nesse processo como uma ponte entre consciência e
comportamento.
Quando conseguimos identificar a emoção antes da decisão, ganhamos algo precioso:
espaço para escolher e tomar decisões de forma consciente.
Você não precisa dizer “não” para tudo aquilo que deseja. Mas aprender a dizer “sim”
somente para aquilo que realmente importa.
Porque o dinheiro pode comprar segurança, conforto, experiências e oportunidades.
Mas ele não deveria precisar comprar a sensação de que somos suficientes ou de que
estamos bem.
Prosperidade sustentável começa quando deixamos de usar o dinheiro no piloto
automático e passamos a usá-lo de forma consciente, alinhada à vida que queremos
construir e viver.